1926 Amelia, única filha de Lucilia Maia Amorim e Moacyr de Freitas Amorim, nasce no dia 7 de dezembro na Maternidade São Paulo, na rua Frei Caneca, nas proximidades do centro de São Paulo. Sua mãe, nascida na cidade de São Paulo, vem de família de fazendeiros do Vale do Paraíba. O pai, descendente de portugueses, nasceu em Serra Negra (SP) e formou-se em medicina, iniciando carreira de pesquisador.
1933-5 A família parte para a Alemanha quando o pai de Amelia recebe bolsa da Rockefeller Foundation para trabalhar como pesquisador em anatomia patológica, sob orientação do professor Spielmeyer. Aos seis anos de idade, Amelia é alfabetizada em alemão. Residem em Munique e Freiburg, e viajam com freqü.ncia pela Europa: Alemanha, Suíça, Áustria, Itália e França.Visitam museus de arte, de ciência e de tecnologia, onde Amelia trava contato direto com obras-primas da arte ocidental. Convive intensamente com a natureza em passeios semanais a florestas, lagos e montanhas. A mãe, que havia estudado pintura no Brasil com o artista Pedro Alexandrino, e que trabalhou desde cedo com artes aplicadas, realiza desenhos científicos e estuda pintura com Julius Bissier, grande desenhista alemão. Testemunham o avanço do nacional-socialismo e a perseguição a amigos judeus e sentem-se compelidos a voltar ao Brasil.
1936-8 Amelia estuda em São Paulo na Olinda Schule, escola alemã. Lá, tem aulas de arte com o professor Hanitzsch e é muito estimulada a dedicar- se ao desenho. Freqüenta a casa de Milton Amaral, onde conhece Tarsila e diversas pessoas ligadas às artes e à cultura. Observa o trabalho cotidiano da mãe e da tia Mercedes, mulheres que praticam atividades artísticas e artesanais profissionalmente, o que, em certa época, lhes garantiu o próprio sustento. Nesse ambiente, Amelia familiariza-se com diferentes técnicas, materiais e ferramentas. Em casa, pode contar com uma biblioteca privilegiada que incluía muitos livros de arte. Esse legado pode ser atribuído à sua avó, Amelia Almeida Maia, que desde 1870 até 1918 trabalhou com artes aplicadas; criava objetos e copiava outros tantos, seguindo a tendência orientalista em voga na época.
1939-42 Vivenciando o clima de guerra iminente que se instala na Europa, Amelia reivindica sua saída da escola alemã. Continua seus estudos de alemão com a psicóloga Betti Katzenstein, radicada no Brasil após ser perseguida pelo nazismo. Sob sua orientação, Amelia dedica-se à leitura dos mestres da literatura e poesia e também estuda o teatro de Schiller e Goethe. Como exercício, faz traduções ilustradas do alemão para o português, como O pássaro azul, de Maeterlinck. Inicia pesquisas sobre arte e frequenta o ateliê de Anita Malfatti, sempre estimulada pelo pai. Trabalha em naturezas-mortas e estudos de observação. O pai de Amelia faz pesquisas de repercussão internacional no Instituto Butantã e torna-se professor da Escola Paulista de Medicina. Nesse período, Amelia se interessa por biologia e aprende com seus pais desde a manipulação de microscópios e técnicas de corte histológico até atividades de um laboratório fotográfico.
1943-8 Estuda desenho, pintura e modelagem com o artista Yoshyia Takaoka, mestre que traz para o cotidiano de Amelia as questões fundamentais do fazer artístico. Vai a exposições, museus, concertos, teatros, livrarias e conferências, e também participa de comícios e passeatas. Conhece o físico e erudito Mario Schenberg. Realiza seu primeiro projeto de design: um painel abstrato, em mosaico de crochê, tecido por sua tia Ismênia. Portinari desenha um retrato do pai de Amelia. Pancetti a retrata, aos dezessete anos. Vilanova Artigas, amigo do pai de Amelia, projeta a casa da família no Sumaré, com laboratório e salão de conferências, onde acontecem rotineiramente reuniões, concertos e palestras. Amelia cursa a Escola de Belas Artes por curto período e resolve dedicar-se profissionalmente às artes plásticas. No ateliê de Waldemar da Costa, inicia amizade com Maria Leontina e Lothar Charoux. Faz estágio de projeto e desenho técnico no escritório de arquitetura de Artigas, onde desenvolve seu interesse por design e desperta para as questões ligadas ao espaço da arquitetura. Lá conhece o arquiteto e designer Zanine Caldas. Realiza suas primeiras jóias, feitas com fio de cobre e estanho, e objetos de conceito construtivo. Casa-se com Eustáquio Toledo Machado Filho, jovem alagoano formado em engenharia na Escola Politécnica.
1949-52 Muda-se com Eustáquio para Londrina, Paraná, cidade em formação, onde Amelia utiliza seus conhecimentos de arquitetura em projetos de casas residenciais e edifícios construídos pelo marido. Continua a pintar e a fazer jóias. Leciona desenho para crianças. Nasce a filha Ruth.
1953-7 Volta a residir em São Paulo onde nasce o filho Moacyr. Amelia estuda cerâmica, faz jóias em esmalte e prossegue a prática de pintura e desenho. Retoma o trabalho com técnicas de histologia no laboratório dos pais. Dá aulas particulares de alemão para crianças e adultos. Com os pais e o marido, constrói a casa da rua Tucumã, projeto do arquiteto Ernest Mange, para moradia das duas famílias e com espaço para as atividades profissionais de Amelia e de seus pais (ateliê e laboratório de pesquisas de anatomia patológica). Volta a freqüentar o ateliê de Waldemar da Costa. Cria laços de amizade com as artistas Maria Bonomi, Rita Rosenmeyer e Ely Bueno, com o mestre em mecânica dos solos Milton Vargas e com a psicóloga Tessy Overmeer, com quem Amelia irá manter um fecundo diálogo ao longo de toda a vida. Auxilia Betti Katzenstein em seu consultório. Faz suas primeiras exposições individuais na Livraria Cultura e na Galeria Ambiente, de Leo Seincman, onde expõe jóias e objetos de metal de princípio construtivo. A sua produção insere-se num mercado de arte que começa a se organizar de forma profissional.
1958-9 Viaja com o marido e os filhos para a Inglaterra, onde estuda na London County Council Central School of Arts and Crafts. Nas oficinas da escola e no curso de William Turnbull, redimensiona seus conhecimentos de arte, materiais e técnicas. Realiza os primeiros livros-objeto. Produz séries de colagens em papel transparente e guaches, estudos de forma e cor, e também a série Gênesis. Cria e constrói os objetos da série PlanoVolume. Participa da experiência comunitária Family by Choice e convive com sua fundadora, a psicóloga Catherine Ginsburgh. Viaja à Escandinávia, Holanda, Suíça, Alemanha, França e a Portugal.
1960-1 Retorna a São Paulo, onde faz estágio com João Luís Chaves no Estúdio Gravura de Lívio Abramo, Maria Bonomi e João Luís Chaves, com quem trava intenso diálogo artístico. A partir das colagens em papel de seda, desenvolve gravuras em metal. Estabelece relações de amizade com colegas artistas como Hilde Weber, Volpi, Tomie Ohtake e Mira Schendel. Willys de Castro e Hércules Barsotti passam a freqüentar seu ateliê, estimulando sua produção de jóias e colagens. Reintegra-se à vida cultural da cidade; sua casa é ponto de encontro de intelectuais como Flavio Rangel, Claudio e Radha Abramo, Ester Galvão, Anésia e Jaime Silva Telles. Viaja a Minas Gerais, onde visita as cidades históricas. Expõe suas jóias na Galeria Ambiente, em São Paulo, a convite de Radha Abramo, e na OCA, no Rio de Janeiro, em exposição montada por Aluísio Magalhães. Dá início à sua atividade na vida cultural carioca.
1962-4 Participa com o marido do processo de formação da Universidade de Brasília (Unb), a convite de Darcy Ribeiro. Muda-se para Brasília e, no ambiente pioneiro da nova capital e da nova universidade, com propostas de currículo e ensino inovadoras, estabelece contato com pessoas de diversas procedências e diferentes áreas de interesse. Cria suas primeiras jóias cinéticas. A coordenação de pós-graduação da UnB considera Amelia “de reconhecido saber” por sua carreira profissional e abre-lhe a oportunidade de iniciar o mestrado mesmo sem ter cursado universidade. Integrada ao corpo docente da UnB, ministra cursos no Instituto Central de Artes, dirigido pelo professor Alcides da Rocha Miranda. Orienta grupos de pesquisa, organiza eventos e laboratórios de criação. Muitos colegas e alunos, como Luís Carlos Riepper, Jor ge Bodanzky e Maria Coeli de Almeida, continuam seus amigos por muitos anos. Suas jóias são premiadas na Bienal de Arte Aplicada em Punta del Este. Participa com jóias de prata e pedras da VII Bienal de São Paulo. Faz viagem pelo Nordeste do Brasil com sua família e com a da artista Ely Bueno. Logo após o golpe militar, Eustáquio é preso, exonerado da UnB e, após ser libertado, deixa o país, convidado pela Architectural Association School of Architecture de Londres para ministrar cursos de pós-graduação em Gana, na África. Os filhos voltam para a casa dos avós, em São Paulo. Amelia completa seu mestrado na UnB e apresenta a tese de caráter multidisciplinar Vestes litúrgicas para a Capela Dominicana de Brasília. Entre os orientadores estão o professor de história da arte João Evangelista de Andrade e o professor de cultura clássica Eudoro de Sousa. Da banca de avaliação fazem parte o arquiteto e urbanista Lucio Costa, o arquiteto Alcides da Rocha Miranda e frei Mateus Rocha. Amelia obtém o grau de mestre em artes. Retorna a São Paulo em um momento de radicalização das posições políticas. Desenvolve amizade com os artistas Fernando Lemos e Sérgio Camargo, assim como restabelece contato com Mario Schenberg. Conhece o crítico de arte Mario Pedrosa. Faz novos livros-objeto usando transparências. Trabalha na série de jóias cinéticas que Sérgio Camargo batiza de Ciclos.
1965-6 Com os filhos, reencontra o marido em Portugal, para onde fora convidado a trabalhar como pesquisador no Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Passam a residir em Carcavelos, cidade costeira próxima a Lisboa. Amelia leciona na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa, onde participa da criação dos cursos de formação artística. Trabalha com oficinas especializadas nas quais produz jóias em série. Executa os múltiplos cinéticos Mundo de Espelho e Espaço Elástico. Suas jóias participam da VIII Bienal de São Paulo. Ainda em Lisboa, Amelia realiza a programação e a montagem de uma exposição da obra de Mira Schendel, com 93 monotipias. Mira e Amelia irão manter uma relação de extensos diálogos. Faz amizade com artistas portugueses como Sá Moreira, Alice Jorge e Helena Almeida. Mario Pedrosa vai a Lisboa e viaja com Amelia e sua família pelo Algarve. Recebe bolsa de viagem à Itália, visita museus em Roma e vai à Bienal de Veneza. Retorna ao Brasil, onde expõe objetos cinéticos na Galeria Atrium, em São Paulo.
1967-8 Amelia e Eustáquio se separam. Ela passa a residir em São Paulo. Leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Desenvolve objetos em aço inoxidável, molas e fibrocimento. Na IX Bienal de São Paulo expõe Espaço Elástico e Caixas I e II, que conquistam os prêmios Cosme Velho e Petite Galerie. Conhece Lygia Clark. Inicia a série Poços e produz a série de cinqüenta Esferas Hápticas em resina poliéster. Produz Medusa e jóias em PVC, água e óleos coloridos. Na indústria de vidro, executa os 87 Glu-Glus. Na indústria de plásticos, cria os discos tácteis de Moving Fields, toalhas com espumante colorido cuja tiragem chega a 10 mil exemplares, fato inédito para um múltiplo de arte brasileiro. Essas obras se tornam a principal fonte de renda familiar até 1972. Amelia participa das propostas de reformulação do ensino e pede demissão da Universidade Mackenzie em apoio ao movimento estudantil. Através da atividade profissional, do ensino e da relação com os filhos, mantém amizade com pessoas de diferentes gerações, como Salvador Cândia, Edgar Amado, Edson Elito e Wilson Barros. Sua filha Ruth torna-se fotógrafa profissional.
1969-73 Leciona metodologia visual na Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro, dividindo o tempo entre o Rio e São Paulo. Começa a série dos Brinquedos Agressivos e faz o Ioiô. Apóia o movimento de boicote à X Bienal de São Paulo, em protesto contra a censura. Expõe as séries de jóias e objetos recentes na Galeria Bonino. Cria obras que solicitam a ação direta do espectador. Faz objetos, múltiplos, guaches e serigrafias, executa Medusa e variações de A Onda, além dos grandes Discos Tácteis e dos trabalhos da série Poços. É convidada para o Resumo JB – Melhores Exposições de 69, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Apresenta as Homenagens e Dedicatórias em exposição organizada por Walter Zanini, na qual ocupa os espaços do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) com Mira Schendel e Donato Ferrari. Cria o projeto Paisagem Brasileira para a XI Bienal de Middlehëim, Bélgica. Com o aumento da repressão política no Brasil, sua casa se torna um ateliê da liberdade dentro da cidade. Lucilia, sua mãe, morre de doença cardíaca. Amelia faz figurinos para teatro e elementos cenográficos para cinema. Apresenta na Jovem Arte Contemporânea, no MAC, a instalação ???XXX. Parte do trabalho desse período adquire forte conotação política. Realiza Situação _∞, que Flávio Império vai chamar de Caixinha Esquizofrênica. Leciona na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP-SP), onde participa da organização do curso de licenciatura em artes. Morre Eustáquio, após longa doença.
1974-9 Realiza trabalhos gráficos. Desenvolve as séries Pegada da Onça, Peso e Baixo-Falantes, e executa impressões de pegadas humanas em papel jornal. Inicia as séries Emergências e Frutos do Mar. Viaja a Buenos Aires, onde apresenta seus trabalhos no Centro de Arte y Comunicación (CAYC), a convite de Aracy Amaral. Com Julio Plaza, cria a publicação On-Off e o múltiplo Waterhead, a propósito do caso Watergate. O filho Moacyr, já então desenhista e pintor, participa de seus projetos. É convidada para participar do Panorama da Escultura Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Mudase para o bairro Santa Teresa no Rio de Janeiro, onde passa a residir no espaço que fora ateliê de seu grande amigo, o designer José Luiz Ripper. Cria jóias, padronagem de tecidos e desenho de roupas, num período em que desenvolve parcerias com outros artistas. Faz moldagens do corpo humano para a série Emergências em gesso, concreto, fibra de vidro, metal, borracha e resina poliéster. Molda as bocas das pessoas que vão ao seu ateliê e constrói o painel Reunião. Cria com Noilton Nunes o filme Sim Senhora, em que documentam o dia de uma doméstica. Dedicase às questões de organização da classe artística e faz parte da primeira diretoria da Associação Brasileira dos Artistas Plásticos Profissionais (ABAPP). Expõe as Emergências no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Passa a viver com Paulo França. Viajam pelo litoral, colhendo material para formar a grande coleção que vai compor parte da série Frutos do Mar. Produz aquarelas, serigrafias, estudos sobre a natureza, trabalhos gráficos, poesia visual e textos. Cria a coluna “Espaço de Emergência” na revista Gam. Convive com a classe artística do Rio de Janeiro; organiza com um grupo de artistas a Galeria da Aliança Francesa de Botafogo, onde acontece a mostra Múltipla Escolha do Dia-a-Dia. Nasce sua primeira neta, Júlia, filha de Ruth e Du Ribeiro.
1980-4 Volta a residir em São Paulo, onde acompanha a morte do pai. Apresenta na Galeria Paulo Figueiredo a série que Paulo Herkenhoff intitula Frutos do Mar. Inicia novas pinturas e as aquarelas Caligrafias. Alexandre Mariath, Casimiro Xavier de Mendonça, Claudio Telles, Márcia Marcondes, Marion Strecker Gomes e Paulo Humberto Ludovico de Almeida tornam-se amigos e colaboradores. Nasce Theo, o segundo filho de Ruth e Du. Separa-se de Paulo França e instala o ateliê da rua Groenlândia, onde convive com velhos e novos amigos, como Tomoshigue Kuzuno e Jeanete Musatti. Retoma a pintura com a série Ordens ao Acaso, que expõe na Galeria Luiza Strina. A série Frutos do Mar ocupa a Galeria Sergio Milliet da FUNARTE, no Rio de Janeiro, e uma grande sala na XVII Bienal de São Paulo. Trabalha em diversas séries de litografias, aquarelas e pinturas em papel. Inicia as pinturas monocrômicas e a série dos Fiapos.
1985-8 Realiza pinturas monocrômicas com resina acrílica e pigmento sobre juta, apresentadas na Galeria Luiza Strina, com textos de Theon Spanudis e Fernando Lemos. Produz a Pintura Rolante, que expõe no Museu da Casa Brasileira (São Paulo) e em Brasília, na mostra Brasilidade e Independência. Viaja com um grupo de artistas pela reserva ecológica da Juréia. Realiza Juréia e inicia a série Horizontes, trabalhos em resina acrílica sobre rolos de papel japonês. Faz grandes painéis de pintura. Expõe suas pinturas recentes no Rio de Janeiro, nas galerias Aktuell e Gravura Brasileira. Participa de exposições coletivas em várias cidades do Brasil, executando montagens que criam diálogo e integração com a arquitetura dos diferentes espaços. Instala um ateliê no Rio de Janeiro, onde passa temporadas pintando. Participa com um grande painel de pinturas da XIX Bienal de São Paulo (1987). Com apoio da Montessanti Galleria, produz em São Paulo uma nova série de esculturas em ferro e alumínio e as expõe com curadoria e texto de Casimiro Xavier de Mendonça. Inicia a série Campos onde Emergem Sinais e os Ideogramas do Acaso. Com a filha Ruth, inicia o aprendizado e a prática de terapias vibracionais, pesquisa e trabalha processos de cura através de energias sutis, usando essências florais, aromas e cristais, que passam a integrar sua prática de vida.
1989-93 Constrói o primeiro Luzango, produzido por Carlo Zuffellato, que fornece os cacos de cristal para a montagem em Goiânia. Ministra um curso na Universidade Federal de Goiás. Com a ajuda de Maina Junqueira, elabora o projeto Cortes na Cor e recebe apoio da bolsa Vitae. Expõe O Todo na Parte, uma síntese de sua carreira, no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com apresentação de Casimiro Xavier de Mendonça. Viaja por Portugal, pela Holanda e pela França. Amplia-se sua relação profissional com o filho Mo Toledo, que volta a São Paulo depois de residir dezesseis anos no Rio de Janeiro. Colabora com as campanhas pelos direitos civis que acontecem no país. É reintegrada aos quadros da Universidade de Brasília, após longo processo administrativo baseado na Lei da Anistia. Constrói a instalação Oceânico, no SESC Pompéia. Elabora pinturas em linho e juta, a série Ideogramas do Acaso, as Fiapeiras e as Fiapeirinhas. Cria para o SESC Ipiranga o painel Festa para o SESC Ipiranga. Participa de exposições internacionais. Com apoio das indústrias de aço inoxidável, coordenadas pela Acesita e pelas Indústrias Villares, executa as novas esculturas que integram a exposição Caminhos para Olhar, no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Nessa exposição, montada com coordenação geral de Claudio Telles e Mo Toledo, está presente a primeira versão das Sete Ondas, projeto de uma escultura planetária. O conjunto Cortes na Cor é instalado no lago da TV Cultura de São Paulo. Viaja para Washington, onde, realiza exposição no Brazilian American Cultural Institute (BACI) . É convidada por Susan Sterling a participar da exposição UltraModern Brazil, no The National Museum of Women in the Arts, onde também realiza conferência sobre O feminino na arte brasileira.
1994-6 É escolhida por Catherine Tick, Wolfgang Becker e Jean Höet para integrar o calendário comemorativo dos cinqüenta anos da ONU, juntamente com outros onze artistas de várias partes do mundo. Com isso, seu projeto de escultura planetária torna-se realidade em uma forma gráfica: em outubro de 1995, as Sete Ondas são abertas em calendários em torno do planeta. Instala o primeiro conjunto das Sete Ondas, em aço, nos jardins do Museu de Arte Moderna, em São Paulo. Estação Amelia é o título que a curadora Vera Horta dá à exposição do Centro Cultural São Paulo. Viaja com a filha Ruth pelo Sul da França. A convite de Esther de Emilio Carlos, expõe na Galeria do Instituto Brasil-Estados Unidos (Rio de Janeiro) o Caderno de Azul, os primeiros Cortes na Cor e as aquarelas da série Ideogramas do Acaso. Cria com o filho Mo e a nora Ana Lucia Guimarães a Tria Design, empresa que administra seus projetos destinados ao grande público. Reedita os Moving Fields, constrói o Labirinto de Horizonte e monta a exposição Horizontes no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Cria com Mo Toledo painel de mosaico de vidro na Pousada Morgenlicht, extremo norte da Serra do Mar. Nas idas e vindas ao Rio de Janeiro, aprofunda sua amizade com Martina Willach, Carlos Cesar Galliez, Anna Maria Maiolino, Lygia Pape e Marcio Doctors. Continua a pintar e cria novas esculturas.
1997-2000 Cria o projeto cromático e de indicação dos materiais de acabamento da estação Arcoverde do metrô da cidade do Rio de Janeiro, a convite do arquiteto João Batista Martinez Corrêa, autor do projeto de arquitetura da estação. O projeto compreende desde a fonte/escultura Palácio de Cristal à pintura multicolorida dos corredores de acesso e ao painel de piso das plataformas de embarque e desembarque, denominado Paisagem Subterrânea, construído com granitos procedentes do subsolo das mais diversas regiões do Brasil. O projeto da estação recebe o prêmio bianual do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Em Brasília, no Instituto Rio Branco, do Itamaraty, constrói Aguar, painel de mosaico de vidro que inclui uma fonte/mandala. Realiza o conjunto escultórico Caleidoscópio, na estação Brás do metrô de São Paulo. Na Galeria de Arte do SESI, em São Paulo, acontece exposição retrospectiva de sua obra, Entre a Obra está Aberta, com catálogo escrito por Ana Maria Belluzzo, co-autora do projeto da exposição. A mostra é visitada por mais de 35 mil pessoas. Para o evento, além de obras históricas, são realizadas Impulsos, No País das Pedras Verdes, Peixes-Água, Jogo do Jaspe, Bancos, Trama de Azul e a vídeo- instalação Pedra-Luz, esta última executada com Marcelo Dantas e Sergio Menegassi. Participa do projeto Atelier FINEP, expondo a série Ressonâncias de Paisagens no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Estreita o contato com Agnaldo Farias e Martin Grossmann. João Frayse faz um estudo sobre depoimentos do público sobre sua obra.
2001-4 Nasce a neta Luisa, filha de Mo e Ana Lucia Guimarães. Ocorre na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, a individual Das Cores do Escuro às Nuvens. Participa da exposição Estratégias para Deslumbrar, na Galeria do SESI, em São Paulo, a convite da direção do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Recebe o prêmio Clarival do Prado Valadares, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), pelo conjunto de sua obra, e participa da exposição relativa ao evento das premiações da ABCA no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. A convite de Paulo Herkenhoff, participa da exposição A Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Centro Cultural Itaú e, no mesmo local, da exposição Diversidade e Tendências dos Anos 70, convidada por Paulo Sergio Duarte. A convite da Empresa Municipal de Urbanização (EMURB) de São Paulo, projeta o tratamento cromático e o acabamento do Complexo Viário João Jorge Saad, conjunto de viadutos em área adjacente ao Parque Ibirapuera, e idealiza com Mo Toledo o primeiro módulo do projeto Parque das Cores do Escuro, no mesmo local. A partir de 2001, o projeto é executado pela Prefeitura de São Paulo, como obra integrada ao projeto de paisagismo do arquiteto Sergio Marin. Realizam em 2003 a extensão do Parque das Cores do Escuro em uma praça pública na Vila Maria e o projeto para painel de piso da praça Dom José Gaspar, utilizando variações cromáticas nos ladrilhos da série 5 Sentidos projetada por Flávio de Carvalho.